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Sex18082017

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História do Espiritismo no Amazonas

 

Como tudo começou ... Fatos Registrados

Como em toda comunidade brasileira, os fenômenos espíritas estiveram presentes na jovem Província do Amazonas, do século XIX, e variadas devem ter sido suas ocorrências, sem que, entretanto, alguém buscasse uma compreensão para a realidade transcendente que sugeriam.

O registro mais antigo por nós localizado, faz referência a fato insólito observado no lugar denominado Freguesia do Moura, interior da Província, que foi publicado no "Diário de Belém" e transcrito pela revista "Reformador", órgão de divulgação da Federação Espírita Brasileira, em seu número de 15 de junho de 1884, relatando fenômenos de efeitos físicos ocorridos em casa do Tenente Antônio José Barbosa, transferido de Manaus para aquela localidade em 1882.

Tais fenômenos foram autenticados pelos Srs. Antônio Oliveira Horta, Camilo Gonçalves de Oliveira Melo, Manuel Alves de Melo, Manuel Antônio de Araújo e Joaquim Nolasco de Oliveira, através de correspondências, também, endereçadas ao referido Diário.

Encontramos no "Reformador" de 1884 e 1885, narrativa de acontecimentos similares havidos em Manaus, o que sugere que já àquela época existiam espíritas no Amazonas, pois tais relatos dificilmente chegariam até a cidade do Rio de Janeiro, onde a mencionada revista era editada, sem que alguém, que no mínimo conhecendo o Espiritismo e as atividades da Federação Espírita Brasileira, os enviasse.

 

 

Primeiros Estudos e Experiências

Duas figuras extraordinárias se destacaram no surgimento e consolidação do Espiritismo no Amazonas em fins do século XIX e início do século XX.

Espíritos dotados de grande força moral e de um Ideal vibrante, Bernardo Rodrigues de Almeida e Leonardo Antônio Malcher, dedicaram-se à Causa Espírita numa época em que até os nossos irmãos seguidores de Lutero, eram perseguidos pela ala radical e conservadora do catolicismo em nosso Estado.

A região vivia os tempos faustosos da borracha, onde muitas famílias amealharam fortuna e a sua capital, Manaus, era conhecida como a Paris dos Trópicos, pela imponência e beleza de suas construções, ao estilo europeu, e realizadas quase que inteiramente por construtores do Velho Continente, a exemplo do Teatro Amazonas, do Palácio Rio Negro e do Mercado Municipal de Manaus.

Vasta colônia de portugueses, nordestinos e paraenses, disputavam um lugar ao sol, em meio à exuberante selva.

Bernardo Rodrigues de Almeida, o provável iniciador do Espiritismo na então Província do Amazonas, segundo nossos registros, fazia parte da enorme legião de imigrantes que nela aportara.

Embora pouco se saiba sobre ele, o primeiro Livro de Atas da Federação Espírita Amazonense, registrou em de 21 de fevereiro de 1905, a Sessão realizada em sua homenagem, cuja desencarnação ocorrera quatro anos antes, trazendo relato do confrade Dr. Antônio Ulysses de Lucena Cascaes, sobre a sua vida e a sua obra.

 

 

Primeiros Núcleos Espíritas

A Sociedade de Propaganda Espírita, provavelmente foi a primeira Instituição Espírita legalmente constituída no Amazonas, fundada em sua Capital, tendo realizado por longos anos, inestimáveis serviços à causa de divulgação do Espiritismo.

Conquanto o opúsculo "História do Espiritismo no Amazonas", editado pela Federação Espírita Amazonense em 1984, coloque o Grupo Espírita Filhos da Fé como a primeira instituição surgida no Estado, e não conhecermos a data de fundação da Sociedade de Propaganda Espírita, o periódico de sua propriedade, o "Mensageiro", no dia primeiro de março de 1901, referindo-se no seu editorial à desencarnação de Bernardo Rodrigues de Almeida, ocorrido em 21 de fevereiro do mesmo ano, assim se expressa em um de seus parágrafos: "A cadeira que ocupou no Centro de Propaganda Espírita, por ele fundado, permanece vazia e dificilmente poderá ser preenchida. Sim, é que ele, o fervoroso apóstolo, o mestre amado, só ele, pôde ocupá-la com a dedicação, a perseverança e o interesse inquebrantável com que o vimos trabalhar sem descanso durante quinze anos."

O mesmo periódico, em 15 de janeiro de 1901, noticia a eleição de sua nova diretoria, conforme previsto nos seus Estatutos, dando a seguinte composição: "Diretores: Carlos Theodoro Gonçalves, Izidoro Vieira, Félix Luiz de Paula, Francelino de Araújo e Antônio José Barbosa. Suplentes: João Antônio da Silva, João Batista Cordeiro Mello, Olímpio Motta, João F. da Costa Fernandes e Antônio José Barbosa" e, em 15 de maio de 1902, a revista "Reformador", informa ter recebido cópia dos novos Estatutos da referida Entidade, impresso em folheto de dezoito páginas, invalidando a informação do mesmo "opúsculo", de que até 1950 a Federação era a única sociedade espírita, devidamente organizada no Estado.

 

 

Atividades Desenvolvidas

Outra anotação do referido "opúsculo" que necessita correção, é a de que até 1950, a Federação era a única instituição espírita que realizava reuniões doutrinárias em Manaus. O "Mensageiro" de 15 de julho de 1901, divulgando o calendário de trabalhos da Sociedade de Propaganda Espírita, informa que esta realiza reuniões mediúnicas às quartas-feiras com início às 19:30 horas e conferências aos domingos(reuniões doutrinárias), às 08:00 horas da manhã.

 

 

Fundação da Federação Espírita Amazonense - FEA

O trabalho desenvolvido pelos pioneiros Bernardo Rodrigues de Almeida, Leonardo Antônio Malcher e outros, não só havia difundido os Princípios Espíritas no Amazonas, mas havia formado uma sólida fraternidade entre aqueles que o professavam.

Diz-nos Carlos Theodoro Gonçalves, através do Jornal o "Mensageiro", que Bernardo de Almeida havia aglutinado em torno de si todos aqueles que se identificavam com a Doutrina de Allan Kardec, estabelecendo desde então, as balizas para a segura constituição de uma Entidade Federativa.

Numa homenagem a Bernardo Rodrigues de Almeida, a leitura e votação dos Estatutos, bem como a eleição da primeira diretoria, foi realizada no dia 21 de fevereiro, ficando aqueles aprovados e a primeira diretoria da Federação Espírita Amazonense, assim constituída:

Presidente João Antônio da Silva
1º Vice-Presidente Manuel dos Santos Castro
2º Vice-Presidente Solon Antônio de Miranda Henriques
1º Secretário Marcolino Rodrigues
2º Secretário Luiz Facundo do Valle
Tesoureiro Joaquim Francelino de Araújo

Estava criada a Federação Espírita Amazonense, aprovada a sua Lei Orgânica e eleita e empossada a sua primeira Diretoria.

Com o crescimento das atividades do movimento espírita e a fundação de novos núcleos, a sede situada à Rua José Clemente, N.º 410, erguida em 1904, não permitindo sua ampliação, já não mais comportava a demanda de que era alvo, tornando-se imprescindível a construção de um novo edifício que melhor se adequasse as exigências atuais.

Assim, depois de muitas lutas, foi inaugurada em 1999 a nova sede da FEA, situada à Rua Pedro Teixeira, N.º 365, Bairro Dom Pedro, Manaus, Amazonas, transformando-se o "Templo da Verdade", no "Projeto Fonte de Luz", que conta com atividades próprias de atendimento espiritual, encaminhando, todavia, aqueles que o procuram, para Instituições que melhor lhes convenham, além de servir de laboratório para o Departamento de Assistência Espiritual da Federação

A atual diretoria da FEA, eleita em janeiro de 2002, vem realizando extenso trabalho de unificação do movimento em nosso Estado, com eventos e encontros mensais entre as diversas Casas Espíritas, estimulando o intercâmbio sadio de experiências e informações.

No que diz respeito ao resgate da memória histórica do Espiritismo no Amazonas, a Federação através da sua Presidência e da sua Diretoria de Comunicação, e dado ao trabalho que vimos desenvolvendo na área, convidou-nos para ali implementarmos o "Projeto Pró-Memória", com vistas não só à prospecção dos fatos passados, ocorridos em nosso movimento, mas, também, com o propósito de incentivarmos as diversas Organizações Espíritas, filiadas a ela ou não, a promoverem e arquivarem os registros do que acontece na atualidade.

 

 

Fonte: FEA.